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XX Domingo do Tempo Comum

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Zillis, românico suiço
Cura de Jesús
Domingo 14 Agosto 2011
Reflexões sobre as leituras
de
LUCIANO MANICARDI
Criar um clima de confiança na Igreja é essencial para que as pessoas possam vencer o medo e viver a fé numa casa comum em que nenhum seja estrangeiro e hóspede, mas todos sejam familiares de Deus (cf. Ef 2,19).

Domingo 14 Agosto 2011

Ano A
Is 56,1.6-7; Sal 66; Rm 11,13-15.29-32; Mt 15,21-28

A integração dos pagãos no Povo de Deus: este é o tema que liga o trecho de Isaías e o Evangelho. Quer a primeira leitura, quer o Evangelho explicitam a capacidade de fé do outro, d'aquele que não pertence ao povo santo. Isaías fala de estrangeiros que “aderiram ao Senhor para O servir e amar” observando o sábado e permanecendo fiéis na sua aliança; no Evangelho Jesús testemunha a grande fé da mulher cananeia que consegue vencer a resistência de Jesús e ver cumprido o seu pedido.

No encontro entre o Jesús Hebreu e a mulher Cananeia, revive-se por um momento a antiga inimizade entre o povo de Israel e a população de Caná, gente idolatra que habitava a terra onde Israel se instalou. A identidade rigorosamente Judaica de Jesús, o seu forte sentido de pertença ao povo eleito, constitui um obstáculo ao encontro com a mulher que se depara com o silêncio de Jesús (cf. Mt 15,23); com a resposta seca dirigida ao discípulos que procuram interceder pela mulher (“Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel" Mt 15,24) e com a resposta dura dirigida directamente à mulher ("Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorros." Mt 15,26). Todavia, Jesús vive a sua identidade não de uma forma fechada e exclusiva. O seu "orgulho hebraico", a sua identidade forte, mas ao mesmo tempo aberta, não imutável, não agarrada a nacionalismos ou a chauvinismos, leva-O a encontrar o estrangeiro. E assim, Jesús ensina a não fazer da identidade um ídolo

Parte integrante da identidade de Jesús é a escuta do sofrimento do outro. Jesús deixa-se interpelar e transformar a partir do sofrimento que impele a mulher: a sua filha está gravemente doente. Analogamente, Jesús acolhe o centurião pagão que Lhe leva o sofrimento do seu servo (Mt 8,6: “Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico, sofrendo horrivelmente."): a experiência universal do sofrimento remete para aquela fragilidade do humano que Jesús escuta e que O leva a fazer-se próximo do outro, ainda que seja estrangeiro. O sofrimento é um elemento constitutivo de uma identidade que queira ser humana, antes de ser confessional ou nacional. 

O sofrimento é um território habitado por todos e por cada um dos homens, que ultrapassa cada pátria e fronteira e nos torna a todos "co-nacionais": o meu ser, habitante do território do sofrimento (território que normalmente isola e separa), torna-se ocasião de relação e de justiça diante do estrangeiro e do seu sofrimento.


 

Os motivos pelos quais Jesús é relutante na resposta ao pedido da mulher são de ordem teológica: a história da salvação implica que Ele cumpra a sua missão junto do Povo de Israel e não dos Pagãos. Mas a escuta do sofrimento do outro corrige esta, correcta mas abstracta, perspectiva teológica da história da salvação por uma mais concreta e humana praxis de salvação das histórias; em primeiro lugar, das histórias pessoais e familiares, sempre precárias e atravessadas por dramas e sofrimentos. Inserindo-se na perspectiva da história da salvação adiantada por Jesús (os filhos de Israel diferentes dos "cães", os não-hebreus), a mulher cananeia introduz a metáfora da casa e da mesa a que “os cães domésticos" têm acesso, com os filhos e como matam a fome com as migalhas dos filhos, legítimos comensais. Os cães e os filhos, os não-judeus e os judeus, têm uma única casa e uma única mesa. A observação genial da mulher converte e dá plenitude à perspectiva de Jesús: numa única casa e em torno de uma única mesa é possível uma refeição entre os filhos de Israel e os estrangeiros em que a primazia de Israel (os filhos) é reconhecida e reenquadrada. 

Jesús reconhece a fé do outro e fia-se: “Grande é a tua fé, faça-se como tu queres” (Mt 15,28). E confiança é o aspecto humano da fé. Criar um clima de confiança na Igreja é essencial para que as pessoas possam vencer o medo e viver a fé numa casa comum em que nenhum seja estrangeiro e hóspede, mas todos sejam familiares de Deus (cf. Ef 2,19). De resto, na comunidade cristã “não existe nem judeu nem grego … mas todos são um, em Jesús Cristo” (cf. Gal 3,28).

LUCIANO MANICARDI

Comunidade de Bose
Eucaristia e Parola
Textos para as celebrações eucarísticas - Ano A
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